O desafio de iniciar algo artístico criativo

malunakid | 06/11/2020

Deparar-se com uma folha em branco, com o desejo de realizar algo novo é o momento mais inquietante do processo artístico criativo. O pensamento lógico- racional aparece cheio de ideias, a mente projeta algo que muitas vezes a habilidade não corresponde, seja ela nas mãos ou nas palavras, e assim inicia-se uma terrível batalha interna.

A crítica surge, naquela voz inquietante dentro de nós:

– Não era isso que eu tinha imaginado! Está horrível! Muito aquém da minha expectativa.

A vontade é de abandonar, deixar de lado antes mesmo de dar o segundo passo. Ou então fazer rápido para acabar logo -… já que não vou conseguir mesmo…vai de qualquer jeito.


Quando nos propomos, livres e sem compromissos, a realizar algo artístico estamos estabelecendo um pacto com a nossa força interior, a mais profunda e genuína vontade de realização. Deixar essa vontade se sobrepor a autocrítica e ir em frente é o maior desafio, um ato de coragem, um voto de confiança em si mesmo.


Outras vezes, ao se propor a fazer algo novo e criativo, seja um texto, um poema, uma pintura ou escultura, qualquer arte, a “síndrome do papel em branco” chega com força total. Nada… nada vem, nada surge, nenhuma ideia por onde ir. Só a névoa branca do papel na mente.


Então, é hora de começar, parar de pensar e simplesmente deixar fluir. Dar a primeira pincelada, escrever as primeiras palavras, amassar a argila. Para quem vence essa primeira barreira coisas interessantes passam a acontecer. O nevoeiro mental começa a se dissipar, um passo aqui, outro ali, uma cadência de movimentos que te dizem: – Olha, tem algo surgindo
aqui! O coração bate mais forte, a respiração fica mais solta, um ânimo surge onde antes havia a dúvida. A barreira da página em branco foi vencida.


E o resultado ao final desse processo, não é o que mais importa. Belo, estranho, denso ou fraco, na arte terapêutica o processo é a vitória. Uma vitória que abre um universo de novas possibilidades, infinitos caminhos a se percorrer, onde basta escolher um. E é uma escolha feita deixando de lado o rigor dos pensamentos, para vivenciar a presença e a materialização
dos sentimentos.